terça-feira, 25 de agosto de 2020

Pedaços

Será que os nossos pedaços perdidos ao longo da vida podem ser recuperados em algum momento? Ou eles se perderam para sempre e temos que nos conformar com uma versão menor de nós mesmos?

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Tic Tac

A casa vazia, a meia luz e um silêncio ensurdecedor. Eu tento entender se o caos está lá fora ou aqui dentro. O corpo exausto e o espírito surrado. Me sinto lutando uma guerra infinita. Sozinho.


O impulso foi reprimido. E as palavras não ditas ecoam no fundo da cabeça. Minhas dúvidas martelam como amigas insistentes e indesejadas. Pra onde a gente vai daqui?


É uma lógica óbvia que a gente sempre insiste em não ver. Ás vezes a gente tenta tanto não perder algo, que acaba se perdendo no caminho.


O mapa estava traçado. Os perigos haviam sido mensurados e os atalhos estratégicos também. Parecia tudo tão certo e claro. A inocência de quem ignora o incontrolável.


Eu não falo, mas a minha alma grita. Deixo pra lá, a confusão já é uma antiga conhecida. Mas e se eu não for um derrotado? E se eu for a explosão?

quarta-feira, 1 de julho de 2020

“Só se pode viver perto de outro, se a gente tem amor”

É uma noite insone. Acabei de sonhar com você e senti que eu precisava mesmo te escrever. Ando pensando muito em você. Acho que em um momento tão instável, vulnerável e confuso, a nossa mente nos faz pensar nas pessoas que nos fazem sentir que tudo está bem, mesmo quando não está. Você sempre foi assim pra mim. Ainda que no meio de constatações de “agora f*deu de vez”, a cumplicidade do caos dividida naqueles corredores com a sua lata de Coca ou nos sofás do Starbucks tomando café à noite fazia tudo ficar bem.
É louco como eu já encontrei pessoas muito parecidas comigo nessa vida e como você era bem diferente de mim em algumas coisas. Mas isso não impediu a gente de se conectar em níveis tão profundos e tão bonitos. E que nos momentos mais loucos e com mais emoção e zero sensatez, eu sempre pude te falar qualquer coisa. Enquanto o mundo me julgava e virava a cara para mim, você sempre foi colo. Você sempre entendeu. E sempre me acolheu. E eu sou muito grata por isso.
Às vezes as pessoas nas nossas vidas são meio setorizadas. Com algumas, podemos falar amenidades. Outras, nós podemos rir e sair para nos divertir. Mas andei pensando como a gente tem que valorizar mais as pessoas que realmente tocam os nossos corações, a ponto de a gente conseguir dividir qualquer coisa. E eu acho que eu nem preciso dizer que você sempre foi esse último tipo de pessoa. Era louco como a gente reclamava do trabalho e, de repente, a gente começava a teorizar sobre coisas espirituais, por exemplo. Você nunca esteve uma caixinha na minha vida. Ainda bem.
Andei pensando muito em Grande Sertão: Veredas, Deus no meio, On The Road e todas essas coisas que eu pirei e descobri que você também e como a gente ia vendo frases que nos marcavam e compartilhando. Aquele sentimento de: caramba! Alguém me entende mesmo nesse mundo. Andei pensando muito também em uma coisa que você me disse, em um momento difícil, e eu nunca esqueci. Algo muito sensível e bastante doloroso também. Você me disse: você precisa encontrar alguém que te ame tanto quanto você pode amar. Essa frase ecoa em mim até hoje. E mostra como você realmente me conheceu tanto. E isso faz o meu mundo melhor.
Travessia ♥

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Mayday

É como estar navegando em um oceano infinito. Eu flutuava. Mas agora o peso dentro de mim me puxa para baixo. É difícil manter a cabeça fora da água. Mas o meu único pensamento é você. Você. Que se perdeu em uma maré há muitos e muitos quilômetros. E eu atravessei meses e anos sem você. A gente se perdeu em correntes diferentes. E eu já não enxergo você na água mais. Eu não sei mais nada sobre você. Você continua navegando por aí? Por onde? Será que ficou em algum porto? Ou será que você sumiu para sempre nessa imensidão? Tentei escrever... mas nada te alcançou. Ou você preferiu que não alcançasse. Tanta coisa aconteceu comigo nessa jornada. Tanta coisa que eu queria te dizer, mas não pude. Tanta coisa eu passei. E mudei. Eu achei que a sua partida tivesse ficado para trás. Eu achei que eu pudesse navegar sem você. Parecia o certo. Mas agora você é a única esperança de resgate. Eu remo, procuro, volto, tento encontrar, me confundo entre rostos... não acho. A cada dia eu afundo um pouco mais. E espero ver no horizonte o teu sinal. Que não chega. Não sei se vai chegar. Eu te espero, relembro. Procuro pistas nas nossas memórias. Pergunto por você. Ninguém viu. Ninguém sabe. Será que um dia nossas rotas se cruzam de novo? Eu imploro aos céus por uma resposta, mas só recebo silêncios. Silêncio que ecoa na minha saudade de você. Profundidade.

domingo, 3 de novembro de 2019

You don't see me

Antes eu não conseguia sentir que as palavras poderiam descrever tudo o que eu sentia estando com você. Hoje eu sinto que nenhuma palavra pode descrever tudo o que eu sinto sem você.

Eu queria poder organizar em frases os meus pensamentos e sentimentos tão conflitantes e te fazer entender. Mas parece que os anos tornaram essa tarefa ainda mais impossível.

Eu queria te explicar que as coisas que eu tinha certeza na vida se perderam. E que as coisas que eu mais sonhava e achava que iam me fazer sentir realizada só me fizeram sentir mais vazia.

Eu queria te contar que eu odiei La La Land na primeira vez em que eu assisti. Como as pessoas podiam gostar de um filme tão triste? E aí eu queria te contar que, na segunda vez em que eu assisti, eu entendi que o filme era sobre a vida real. E eu chorei. Porque às vezes a vida leva as pessoas para caminhos diferentes. E elas acabam, no futuro, apenas trocando um olhar cúmplice sobre o que poderia ter sido e não foi.

E queria te contar que tem dias em que nada faz sentido para mim. Dias que eu fico olhando para tudo e sinto que nada tem solução. E que, em algum momento, eu sempre percebo que um dos meus maiores vazios é o seu vazio. Ou melhor, o vazio que eu sinto com o seu vazio.

Eu queria te contar que a verdade é que eu não sei muito bem como as coisas chegaram até aqui. Como tudo foi acontecendo. Há alguns anos, eu sentia que eu tinha controle sobre as decisões. E, hoje, eu só sinto que os anos passaram do nada e que eu tenho pouco - ou nenhum - poder sobre qualquer coisa.

Eu queria te dizer que eu cheguei a conclusão de que a vida não tem solução mesmo. E que eu não sei muito bem se ser adulto melhora ou dificulta as coisas. Que eu não sei se a gente vai adequando a nossa felicidade à realidade ou se a gente só vai se conformando com as coisas como elas são. E que isso me assusta.

Eu queria te dizer que semana passada alguém comentou algo sobre Brilho eterno de uma mente sem lembranças e eu pensei em tanta coisa sobre a gente em poucos segundos que o conceito de tempo poderia ser reformulado.

Eu queria te dizer que eu queria te dizer várias coisas felizes e super positivas, porque eu tenho medo de você não entender mais o meu jeito niilista e isso ser mais um fator para você se afastar. Mas a verdade é que eu não sei se nada disso importa.

Eu queria te dizer que eu sinto falta de falar com você. Muita. Acho que a gente só consegue entender esse tipo de coisa quando isso que aconteceu com a gente, de fato, acontece. Mas com você eu tive as melhores conversas da minha vida. E eu sinto falta da sua contraposição ao que eu penso e acredito.

Eu queria te dizer que, quando eu tento entender como foi que a gente se afastou, que eu não consigo entender. Que tudo só parece um borrão. Como um trem desgovernado.

Eu queria te dizer que eu penso mais do que eu deveria em como as coisas poderiam ter sido se eu tivesse agido de forma diferente em várias ocasiões.

Eu queria te dizer que eu demorei muito tempo para entender o valor de Wish You Were Here, mas que hoje eu escuto e sinto na alma cada palavra dessa música.

Eu queria te dizer que eu sei que eu tive absurdamente muitos relacionamentos nessa vida e que isso pode soar condescendente, mas que quando eu penso em sentimentos verdadeiros e profundos, só a gente faz sentido nisso tudo.

E eu queria te dizer que, com o passar dos anos eu me tornei muito cética sobre amor e relacionamentos, mas que, de alguma forma até contraditória, eu ainda acredito na gente. E que, quando eu penso sobre futuro com alguém e passar a vida com outra pessoa, que é sobre você.

Eu queria dizer que eu te odeio alguns dias. E outros, não. Que eu tento muito entender tudo isso e que eu não consigo. E isso é péssimo.

Eu queria te dizer que eu sinto a sua falta quase todos os dias. E que eu tento muito só não pensar nisso tudo, não lembrar, esquecer e só seguir a minha vida, mas isso sempre volta.

Eu queria te dizer que uma vez você me escreveu "não esquece de mim e da gente". E eu queria te dizer que eu não esqueci um dia sequer. E que eu nunca vou. Que, pelo contrário, você está sempre aqui.

Eu queria te dizer que você pode passar a vida me ignorando, que você pode pensar "nossa, até quando" e que você pode esperar que uma hora eu vou só cansar e desistir. E eu queria te dizer que tudo bem, mas que não, que eu vou estar aqui sentindo e dizendo sempre a mesma coisa. E falando sozinha quanto tempo for preciso. Porque How can I move on when I'm still in love with you?

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Milagre de natal

Hoje eu ouvi alguém dizer algo sobre "milagre de natal". E é engraçado como algumas situações podem nos levar diretamente para outro espaço e tempo. Porque ouvir essa expressão me levou para uns anos atrás quando você falava muito isso. Tipo quando a gente ficava, sei lá, uns três dias sem brigar ou quando nós concordávamos muito sobre as coisas e você me dizia "isso é milagre de natal". Eu sempre odiei o natal e as festas de fim de ano, mas com você, de alguma forma, eu gostava. Acho que talvez fosse porque a gente se conheceu no fim do ano, bem perto do natal. E aquele dia passou a sempre ser especial depois disso. Então, ouvir isso e relembrar que você usava essa expressão me trouxe um sentimento muito grande de conforto e familiaridade. E foi bom. E depois, como quase sempre quando eu penso, doeu.

Eu queria te dizer - e tudo bem se você nunca ler isso, porque ter a sensação de falar com você já me dá alívio - que nos últimos anos eu passei a me importar muito pouco com as pessoas. E você pode pensar algo como "nos últimos anos, né?", mas, sim. Eu acho que eu precisei me importar menos com as pessoas para eu poder me importar mais comigo. Acho que eu precisei me importar menos com os outros para eu conseguir viver sem me decepcionar tanto e me dilacerar tanto. E, no fundo, eu acabo me sentindo bem mal com isso, ao mesmo tempo. Em vários momentos eu me sinto egoísta e sinto que tem algo errado comigo. Mas eu aprendi a lidar com isso também.

E é irônico porque eu consigo fazer isso muito bem atualmente. Eu consigo viver sem pessoas, de um modo geral. Eu consigo não me importar de sumir e deixar até as pessoas próximas afastadas. Eu consegui me blindar desse sentimento de solidão e necessidade de estar com os outros. E não só de uma forma romântica. Mas, nesses momentos em que eu me pego pensando em você, isso desaparece. Porque eu só consigo sentir vontade da sua companhia e isso é sufocante como sentir falta de ar.

Eu sinto falta de cada pequeno detalhe. E eu fico pensando em como as coisas se tornam gigantes com a perspectiva do tempo e da saudade. Eu fico querendo falar com você, saber como foi o seu dia, por exemplo, ou que série ou filme sem noção que não tem nada a ver com os meus gostos você está vendo. Ou o que você pensa sobre algo. E poder passar horas falando sobre assuntos vagos, porque a gente só podia fazer isso. Hoje eu me sinto uma personagem de mim mesma. Eu falo sobre as coisas e eu devo parecer muito bem resolvida para quem me vê de fora. Mas eu já não acredito nesse papel que eu criei para mim mesma e isso é muito pior.

"Se você tivesse uma chance de ir viver um dia no seu futuro ou um dia no seu passado, para onde você iria?". Eu sempre tive um pouco de dúvida sobre isso. Eu nunca consegui decidir se valeria mais a pena descobrir o futuro ou reviver algum dia do passado, mas... hoje em dia, eu acho que se eu pudesse fazer algum dos dois, acho que eu só viveria um dia nosso de novo. E nem precisava ser um dia especial, sabe? Podia ser um dia comum. Podia ser até um dia meio ruim, se você quiser saber. Para mim, seria suficiente.

Eu sempre tive crises existenciais. Acho que sempre vou ter, na verdade. E hoje eu vejo como eu sinto falta de você só falar algo como "tá tudo bem, vai ficar tudo bem", porque, por mais que eu ficasse frustada por tudo continuar sem solução, isso era o necessário e o essencial. Isso sempre foi mais do que suficiente.

Eu me sinto bem tonta de sentir tudo isso ainda. Eu queria ter uma máquina que só te tirasse da minha memória como em "Brilho eterno de uma mente sem lembranças", lembra? Acho que, como a Clem, eu impulsivamente só faria isso. Mas eu não tenho. E o tempo também não adiantou para me fazer parar de sentir e esquecer. E, no fim, eu fico esperando você voltar ou só cruzar a minha vida de novo diretamente do passado, como em um filme do Nicholas Sparks. Porque, afinal, é fim de ano e milagres acontecem.

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Enclausurado

Às vezes eu fico pensando sobre tudo isso... Eu passei anos procurando respostas, revivendo acontecimentos do passado, sentindo saudade, alegria e dor, algumas vezes. Eu ouvi músicas, assisti filmes e séries, reli coisas. E eu realmente acreditei que nunca mais eu falaria com você. E aí você reapareceu e eu finalmente achei que ia entender tudo o que tinha acontecido. E logo você sumiu de novo, me deixando com mais dúvidas do que nunca. E, depois disso, nada fez mais sentido nenhum mesmo para mim.

E eu acho que essa talvez seja a sua maior injustiça comigo. De todas. Nunca ter me deixado descobrir a verdade. Não me deixar saber. Não ser honesto. Eu sempre li um livro incompleto. Por anos e anos.

Nem sempre é fácil superar algumas coisas na vida. Certos acontecimentos exigem muito tempo para serem "curados". Mas eu acho que entender as situações e as pessoas ajuda nesse processo. E isso é algo que eu nunca pude ter na nossa história. E isso é bem triste, na verdade. Porque eu acho que eu nunca entreguei o meu coração tão sinceramente para outra pessoa.

Você nunca me deu todas as peças desse quebra-cabeça. E isso me faz ficar presa, de alguma forma. E não é certo. É sufocante voltar para a nossa história de tempos em tempos. Por falta de respostas. Por esperanças vazias de uma incompreensão.

Eu não sei se você considera isso um castigo merecido por coisas que eu fiz. Ou se você realmente não compreende o efeito disso em mim. Eu não sei dizer se é maldade, negligência ou indiferença, mas não é fácil. Para mim.

Algumas pessoas acham que o maior presente que um ser humano pode dar para o outro é amor. Eu já pensei assim. Mas hoje eu enxergo que isso não é verdade. O maior presente que um ser humano pode dar para o outro é a liberdade.

A gente tem que ser livre para poder ser feliz.